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sábado, 18 de Dezembro de 2010

Metas!!!


Aquilo que eu considero um dos principais inimigos do ensino e da educação, volta a atacar pela mão do ME – as metas de sucesso (positivas)!
Se muitos docentes já se encontram resignados, outros há, no quais me incluo, que resistem à pressão, aguentando tudo e todos! A não ser a facilidade com que os docentes portugueses se resignam, porque outros valores se levantam (e isso não me apetece discutir) e esta medida poderia causar muito mais "mau ambiente" na escola portuguesa que o famigerado processo de ADD, isto se os docentes conseguissem separar o profissional do pessoal!
Não entendo, mas aguardo explicação, sobre quais os critérios pedagógicos que estão na base desta medida. Aguardo sabê-los para os poder adoptar!
Que a maioria dos governantes perderam a vergonha, já é coisa sabida, agora a resignação e o medo de  aceitar tal medida por parte de uma classe que se diz bem formada, nem quero entender. Sinceramente, o único valor que consigo identificar é o monetário aliado à necessidade, que dá azo ao vulgo: “Tem que ser”!
O mais certo será os professores Directores passarem a "batata quente" aos professores, com uma pitada de pressão q.b.

Quanto às ditas metas ocorre-me o seguinte, no caso de ser solicitado a determiná-las: “Apenas posso afirmar que pretendo alcançar, em cada turma, ou melhor em cada aluno, o nível de sucesso que desde que comecei a leccionar estipulo para estes, e que nunca pode ser abaixo dos 100%. Infelizmente, o meu esforço, empenho e dedicação e o forte desejo de sucesso que anseio, não são, só por si, suficientes, uma vez que não se pode encarar o aluno como uma parte passiva do processo de ensino-aprendizagem e, nessa perspectiva, como representante da outra parte activa, o aluno tem um papel determinante no seu sucesso. Há, assim, pelo menos, claramente duas partes envolvidas no mesmo desafio. Acresce o facto de haver, inegavelmente, causas exteriores à escola (vivência cultural, ambiente socioeconómico, enquadramento familiar, entre outras) que podem ser ponderadoras do sucesso escolar.
            Realço, ainda, que mesmo só considerando números, e porque a classificação sumativa, no 3º ciclo, é expressa numa escala de 1 a 5, avaliar o sucesso escolar pelo número de negativas e positivas será, no mínimo, uma perspectiva redutora.
            Por fim, o único desafio a que me proponho, neste âmbito, é o de melhorar as aprendizagens de todos os alunos e repito, todos os alunos.”

Não entendo como há escolas que estabelecem metas tendo como referência diferentes universos de alunos, por exemplo: "Aumentar em 5% o sucesso dos resultados do 7º ano em relação ao ano transacto". Ora se no ano transacto no 7ºano estavam a maioria dos alunos que estão hoje no 8ºano, é o mesmo que dizer que a "fornada" de alunos que nasceram um ano antes tem que ter mais sucesso que os seus antecessores! Eu sei que as espécies evoluem, mas nem tanto!
Se assim fosse também o povo tinha a legitimidade moral de exigir que os seus políticos melhorassem em 20% (5%/ano) o sucesso das suas políticas, mas infelizmente estamos perante uma geração que mais do que rasca está a deixar o país à rasca!