Alguma tinta se tem gasto nos últimos dias à volta da questão da promulgação da revogação da ADD pelo Presidente da República.
Em primeiro lugar devo dizer que se houver a possibilidade de se considerar a revogação inconstitucional, seria desejável que esta fosse feita tendo como base um pedido de verificação do Presidente, do que do grupo parlamentar do PS, por duas razões, uma de tempo e outra de credibilidade das instituições (sobre este ponto nada oiço no seio docente).
Só a euforia precipitada de festejar o fim desta ADD, talvez também às escuras, pode deixar adormecida a lucidez de alguns na análise de todo o jogo que está por detrás da revogação da ADD. O jogo começou mal, com o PSD a ceder à chantagem do PS e a retirar o seu projecto, que a meu ver evitaria esta polémica. A questão que aqui se coloca é a de saber até que ponto os argumentos usados na chantagem do PS, que levou o PSD a substituir o seu projecto, são válidos.
No entanto, quer o Presidente promulgue ou não a revogação da ADD, esta novela irá continuar, porque é de todo o interesse para o PS que ela continue de modo a reunir junto de si todos aqueles que entendem que os professores são uns malandros. Convenhamos que muita da argumentação que usam é lhes dada por alguns sindicatos que dizem representar a classe.
Mesmo que a ADD seja revogada, há ainda vários pontos que estão a passar ao lado de muita gente ou não estão explicados. Aqui ficam alguns:
- As aulas observadas previstas para o acesso ao 3º e 5º escalões continuam;
- A CCAD que fará a avaliação da apreciação intercalar será revogada juntamente com a revogação da ADD, conforme ela está prevista, pelo que esta revogação da ADD se traduzirá numa não avaliação;
- Se eventualmente se conseguir ultrapassar o ponto anterior, a atribuição da menção de Muito Bom continua;
- A ADD do ano transacto continua a contar para o concurso. (Se me permitem um desabafo, tal só existirá porque esta só dirá respeito aos professores contratados! Aqui fica, mais uma vez, a argumentação!).
Pelo exposto será prudente que não se deixem embarcar em euforias precipitadas!
Continuemos à espera...

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