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18 de abril de 2011

Irresponsabilidade.


Na última meia dúzia de anos Portugal viu a sua dívida aumentar e muito, para além do razoável e do sustentável. Mas uma só pessoa não arca com tamanha responsabilidade, o bando de acéfalos que o rodeiam não são alheios. Pautados por uma forte tentação de só olharem para o umbigo, não mostrando a responsabilidade que lhes foi confiada. Só a falta de berço, deslumbrada pelo novo-riquismo, pôde conduzir o país a tal agonia, a quem nem faltou o tique de “perseguir” pessoas e uma classe inteira.

A irresponsabilidade de alarvemente gastar sem ter, camuflado pelos argumentos do ambiente, da saúde e da educação, que à partida parecem populares e interessantes, mas dado o tipo de investimento não passam de populistas e interesseiros.

Dada a dimensão da dívida não seria natural que o país estivesse com um nível de desenvolvimento condicente? Seria e realmente está! Temos um desenvolvimento condicente que espelha o tipo de investimento – uma cada vez maior assimetria entre pobres e ricos; um país a pagar uma dívida de algo que não tem! Vamos pagar a dívida de algo que comummente não temos, que não usufruímos, que pouco ou nada nos trouxe!

A lição que ficará do pagar da dívida que sirva de lição para quem pensa igual a quem a criou. O pagamento da dívida levará a uma mudança social, até ao momento em que possam vir a gastar, novamente, sem ter. A mudança cultural, essa, não deverá ocorrer, porque essa passa pela Educação.

E na Educação?
Na Educação, venha quem vier, continuarão preocupados com o peso, de quase ¼, dos vencimentos dos docentes no total dos vencimentos da função pública.
Cheque ensino? Escola entregue a privados? De modo cooperativo ou empresarial? Ajustamento de currículos pautados por pedagogia financeira?
Enfim, nesta linha, será tudo menos Educação!

E os professores?
Os professores que pensam que pior não virá, poderão vir a ser iludidos pela nova cenoura da ADD e talvez continuem enganados.


Basta de, doentiamente, exaltar a megalomania e descorar o humanismo.

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