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12 de agosto de 2011

Papéis trocados...


Como resultado da introdução da plurianuidade das colocações, da consecutiva barragem à entrada de professores na carreira docente, e do aumento das aposentações dos professores de carreira, a proporção de professores contratados no universo docente tem vindo a aumentar de modo muito acentuado nos últimos seis anos.

Assim continuaria, não fosse a purga que será feita em Setembro próximo.

Desta forma o MEC não só diminuirá os encargos com o pessoal docente, como minimiza a expressão dos professores contratados, e com isso, provavelmente, poderemos estar perante um grupo de profissionais que poderão fazer toda uma actividade profissional de forma precária. Não raros são os colegas com 10/15/20 ou mais anos de contratação. Alguns já vão a meio da caminhada e acabarão de a fazer no mesmo piso de terra em que a iniciaram!

Dada como certa a significativa diminuição de professores contratados, a sua força reivindicativa e o interesse que poderiam despertar, como potencial clientes, junto dos sindicatos, serão manifestamente menores.

Sem querer referir a qualidade do desempenho, não deixa de ser interessante verificar que, na classe docente, há um conjunto de professores precários – os contratados, a auferir x, que perante o receio da situação se sentem pressionados a fazer mais e melhor. Contudo a seu lado estão iguais profissionais, às vezes com menos anos de serviço, numa situação mais estável, a auferir x+y, senão mesmo 2x, que perante o conforto da situação se sentem tranquilos a fazer q.b.

Não deveria a remuneração auferida ser proporcional à responsabilidade/qualidade do trabalho realizado?

Não deveria ter mais responsabilidades quem mais aufere?

Com os defuntos Professores Titulares o então ME tentou atenuar a discrepância do trabalho entre os que estavam nos últimos escalões da carreira e que até lá, na generalidade, menos faziam, responsabilizando-os de funções como as de coordenação e de avaliação dos seus pares (em má hora).

Não concebo uma carreira em que se premeiam anos de trabalho, sem aferir a qualidade dos mesmos, atribuindo um maior vencimento e diminuindo a componente lectiva, incitando o comodismo instalado.  

            Não estarão os papéis trocados? 

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