Autor

sábado, 5 de março de 2011

Indefinição...



 
A pedra-de-toque é a mesma que levou o governo a perder a maioria absoluta – os professores. Mas se da outra vez o governo veio habilmente disfarçar a discórdia com um famigerado acordo Sindicatos/ME, dando-se ao benefício da dúvida de tentar cumprir uma legislatura de quatro anos, agora que já percebeu que tal não acontecerá e ao ver que caminha para o seu fim, quer levar com ele o seu inimigo público.

Se não houver recuo da direita, nem jigajogas da restante esquerda, tudo indica que a reorganização curricular, de base financeira e não pedagógica, não vingará.
Aqui há que fazer justiça ao trabalho dos professores de EVT.
Acontece que é inevitável que o governo tudo faça para conseguir levar a sua avante, e isso poderá implicar danos colaterais e transversais a todos os grupos disciplinares.
Neste momento a tentativa era a de atingir os professores de EVT, através da eliminação do par pedagógico, de Educação Física, através do Desporto Escolar e todos os grupos disciplinares com a eliminação de AP e a redução de EA a um universo de alunos residual. Agora e no desespero, o governo arranjará forma de ou conseguir manter esta investida, ou então através de novas investidas noutros grupos disciplinares, nomeadamente de CFQ e de BG, não autorizando o desdobramento de turmas, conseguir o seu 2 em1, redução orçamental e malhar nos seus mais queridos. Claro está que estes grupos das Ciências, tais como os grupos de Português e de Matemática, têm a seu favor o peso estatístico, nomeadamente do PISA, no entanto o desespero e a sede de vingança, na hora da despedida, pode ser tanta que tal não admirará se acontecer.

 O que é grave é ver um governo com valores educacionais perdidos e ver uma Ministra da Educação deixar que no seu ministério a finança cega se sobreponha à pedagogia.  Os valores da Educação não podem ser os valores materiais!

            Agora o que nos espera?
Das duas uma, ou o governo cai a tempo de se preparar um arranque digno e com base pedagógica para o próximo ano lectivo, ou então depois, um ano passado, poucos ou nenhuns dos prejuízos feitos na Educação serão reparados – quem nos diz isto é o passado recente.

Já lá vai o tempo em que o destino do país parecia depender dos portugueses. Se já, nessa altura, entender os meandros nacionais não era fácil, agora entender os meandros internacionais é tarefa utópica. È que nem mesmo os principais actores os entendem muito bem, quanto mais os restantes.

            A ver vamos…