No fundo é o argumento com que me deparei há mais de uma década quando, ainda contratado mas já com uma década de trabalho e cerca de 35 de idade, era tratado como enteado por quase maçaricos com menos de uma mão cheia de anos de serviço e que, em virtude de se terem rapidamente efectivado em grupos disciplinares fofinhos, antes dos 30 anos de idade já estavam instalados e a olhar de forma sobranceira para quem estava do lado de fora.

E isso é inaceitável: profissionais habilitados e certificados para exercerem a docência, com anos de serviço no currículo, mesmo que nem sempre com horário completo e com intermitência, são tão ou mais professores do que aqueles que estão instalados ou que se assim sentiram muito cedo.

Um professor contratado com 10-12 anos de serviço é menos professor do que um professor do quadro com 5 ou 6 anos de exercício e a sorte de pertencer a um dos grupos disciplinares que teve a sorte de estar em expansão há alguns anos e permitiu entrada no quadro ao segundo ou terceiro ano de trabalho?

O que se passa agora é muito complicado, porque quem está fora é tratado como se nem professor fosse e quem está dentro sente ameaças em todo o lado. E isso inviabiliza muita coisa."