Autor

sábado, 5 de novembro de 2011

Texto de um(a) amigo(a) II.


EU…

Gostava de ir a desfolhadas, vindimas, matanças de porcos; olhar para uma posta de bacalhau como se fosse um prémio; valorizar os muitos quilómetros percorridos a pé, por carreiros e estradas de terra, pelo prazer e não pela fútil queima de calorias; ir às vendas e tabernas, onde se jogava alegremente à sueca e o prémio era o convívio pelo convívio e pela amizade; ir para a “Fábrica” e levar no saco a tiracolo duas sardinhas, um canto de trigo de ovelhinha e no cantil o vinho puro, como se fosse o “manjar dos deuses”; ir para o TRABALHO a cantar, lavar a roupa em tanques públicos e ir para casa com a bacia na cabeça, treinando uns passinhos de rancho num pé e noutro; ver a minha família rezar o terço após a sopa servida à noite, no fim, ouvir a telefonia e cantar até que a voz doesse a todos. Gostava de olhar para a prateleira e ver um só par de sapatos e um casaco costurado pela minha avó, sem ter que escolher entre futilidades e adornos; abrir o baú, sentir o cheiro a naftalina e ver os paninhos e colchas de linho e de croché incrivelmente branquinhos, guardados religiosamente ATÉ…