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19 de fevereiro de 2012

Dissecando a proposta da 1ª prioridade para o concurso externo.

Proposta do MEC sobre o Diploma de Concursos estabelece as seguintes prioridades para os candidatos ao concurso externo:
o, ainda, actual diploma que regulamenta o concurso estabelece a seguintes prioridades:


Comentário: Até agora era dada prioridade no concurso externo aos docentes profissionalizados que tinham servido o ensino público em pelo menos um dos últimos dois anos lectivos imediatamente anteriores ao concurso. 

Agora o MEC, conferindo-lhes a primeira prioridade, quer premiar os seguintes intervenientes:

- Docentes profissionalizados que tenham nos últimos seis anos imediatamente anteriores ao concurso, pelo menos quatro anos de serviço com horário anual e completo, independentemente da sua proveniência ser o ensino público ou o ensino particular e cooperativo com contrato de associação.


Considero a proposta do MEC, nesta matéria, muito grave pelos seguintes motivos:

- O MEC deveria estar preocupado em dar prioridade aos melhores e mais experientes, mas com esta proposta o que o MEC pretende é dar prioridade a quem teve a sorte, a felicidade, ou mesmo, a "cunha", necessárias para manter um horário completo e anual em quatro dos últimos seis anos no ensino público ou particular e cooperativo com contrato de associação;

Não é sério dar prioridade a docentes com menos graduação e que quando entrarem para a carreira sairão mais baratos ao estado, em detrimento de docentes mais graduados que tiveram o azar, ou mesmo a falta de "cunha", para terem quatro anos com horário completo e anual nos últimos seis, quando até alguns têm quatro anos de serviço completos nos últimos seis, mas sem horários completos e anuais, e que para os conseguirem não puderam se acomodar a uma só escola por ano!;

- Não é verdade que esteja a ser aplicado o princípio da igualdade em relação aos colegas que provêm do particular e cooperativo. Para que o mesmo fosse verdade era necessário que as vagas, a preencher nos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo com contrato de associação, que esses colegas ocupam, tivessem sido ou venham a ser colocadas a concurso pelo MEC, o que como todos sabem não acontece. O que o MEC está a tentar fazer é a prestação de um serviço aos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo com contrato de associação, de modo a que os colegas mais graduados que lá trabalham saiam, deixando de onerar tanto o particular, se considerarmos que sairão sem indemnizações e darão lugares a colegas "mais baratos". Claro que com isto o MEC também ganha, ao pagar menos aos colegas que provenham do particular e que auferirão pelo índice 126 (menos de 1000€/mês líquidos) pelo menos durante um ano e até que a carreira docente seja descongelada!


Agora, não basta esperar pelos sindicatos, é preciso pressionar os sindicatos, para que estes pressionem o Governo a corrigir esta injustiça! Assim é, bem ou mal, a cadeia negocial no nosso país!

11 comentários:

João Paulo disse...

Em abstracto concordo com o que escreve. Acrescento uma nova realidade que é a dos colegas das ilhas poderem concorrer como sendo docentes dos nossos quadros o que também é uma alteração MUITO importante. Em relação às observações sobre o privado / público, lembro que esta medida joga a favor dos docentes dos colégios e não dos seus patrões. Ou seja, ao favorecer a entrada deles no público retira força aos patrões dos colégios e isso deve ser considerado. No entanto, passar à frente de quem está no público, com dificuldades acrescidas - distância por exemplo e tipologia de alunos - deve merecer preferência. No aventar coloquei outras observações: http://aventar.eu/2012/02/19/concurso-de-colocacao-de-professores-uma-primeira-analise/

educar A educação disse...

Caro João Paulo,
Também concordo com as suas observações publicadas no AVENTAR, mas relativamente aos colegas do particular, não considero que a medida jogue a favor dos docentes dos colégios e não dos seus patrões. Os colegas em termos de carreira e de vencimento só têm a perder com a saída do particular, só lhes compensa se o desespero de ser explorado for muito. Quanto aos patrões, perdendo docentes da carreira, facilmente os substituem por contratados e metem dinheiro ao bolso por não pagarem indemnizações nem vencimentos tão onerosos.
Um abraço.

Manel disse...

Educar A educação... resosta

Pois, mas os colegas do particular nunca estiveram na fila da frente sujeitos a meninos menos respeitosos, nunca estiveram sujeitos a estarem em salas de aula com cadeiras a voar ou seja nunca estiveram no meio da pancadaria, enquanto nós demos sempre a cara para sermos ofendidos, batidos, o nosso trabalho a ser despresado.... Dificilmente esses prfs podem estar conscientes da realidade que se vive nas escolas, a conviver com alunos que vêm para a escola sem pequeno almoço tomado por infelizmente o pai está desempregado e a mãe não ganha para tudo. Esses profs. foram sustentados por uma elite da sociedade em que os meninos têm choffer, os pais por esquecimento deixam os filhos na escola, os meninos têm que ter a avaliação que os pais impõem (porque estão a pagar e têm os seus direitos e a escola faz-lhes a vontade mesmo que o menino não saiba nada) os profs são submissos aos pais dos alunos do particular e mais coisas (conhecimento próprio do que falo).
Se estes colegas só têm a perder ao saírem do Particular como diz , então fiquem lá (no particular) que nós ficamos na frente de guerra, aos menos sabemos o que é DIGNIDADE.

Anónimo disse...

A injustiça descomunal e não vejo nenhum sindicato a preocupar-se...

Anónimo disse...

A crise económica está a provocar uma debandada de professores das escolas privadas através dos despedimentos. Muitos colégios estão a informar os seus professores que estarão despedidos a partir de Setembro, mesmo professores com muitos anos de serviço. Esta oferta da 1.ª prioridade que o MEC está a fazer aos professores do privado foi negociada com os empresários das escolas privadas. Apetece-me dizer aos colegas do privado: comeram o que de melhor havia no sistema educativo, a chichinha de primeira. Agora, roam os ossos! Venham para a luta, façam-se gente.

Liliana disse...

Boa noite,

Eu sou professora contratada há 11 anos na escola pública e tenho o meu marido professor há 13 anos na escola privada, e sinceramente vocês estão a ver uma realidade que só deve existir em Lisboa ou Porto. A escola onde ele está praticamente 60% são miúdos de lares, sem pais e com imensos problemas, sim naquela escola sabem o que é ter crianças a passar fome entre outras coisas.
Este ano ele vai ficar desempregado devido ao terminar do par pedagógico a EVT e espero sinceramente que ele consiga ficar colocado, apesar de ter a consciência de ser muito dificil.
Durante os 13 anos de privado, ele e outros foram muito explorados pelo patrão mas sempre ficaram pois era preferível ter emprego a não o ter. Agora tenho a certeza que ele prefere lá ficar, mas enfim....
Por isso, apesar de por um lado não concordar com a equiparação do privado ao público, também acho que é muito injusto não o fazer (é um pau de dois bicos).

Anónimo disse...

Muitos dos ilustres comentadores deste blog manifestam desconhecer o que são Escolas com Contrato de Associação. Informem-se e depois façam os vossos comentários e verão onde estão os alunos ricos e pobres. Muitos outros desconhecem que uma boa parte dos professores das escolas com contrato de associação fizeram uma escolha (talvez com melhores condições na altura, é verdade)de trabalhar nessas escolas mas tinham lugar no ensino do estado. E esquecem-se também que até há pouco mais de meia dúzia de anos tinham acesso à 1ª prioridade. Por outro lado, fará algum sentido que um professor com um mês de experiência no ensino do estado tenha prioridade sobre um outro com 15 ou 20 anos de experiência numa escola com contrato de associação com a mesma estrutura pedagógica e curricular e demais exigências em tudo iguais à da escola do Estado? Parece-me que não.
António Freitas

Liliana disse...

Caro António Freitas,
Concordo perfeitamente com o seu comentário.

CO2 disse...

Não me parece que estejam a ver a verdadeira injustiça. Tanto nas escolas públicas como nas escolas particulares com contrato de associação, é uma questão de sorte ter horário completo. A sorte jamais poderá ser um critério objectivo e justo. Só os mais velhos, têm, mesmo no privado, horário completo. Mas este país só sacrifica os mais jovens? Está a matar uma geração? A tal que sempre foi intitulada de rasca?

Anónimo disse...

Carlos

Em relação ao privado , e porque sou professor do privado, é no mínimo caricato o que falam, por alguma razão falam do que não conhecem, e atiram para o ar na esperança de com isso se sentirem "melhores"! Para aceder ao privado, não há concurso público é verdade, mas entrar numa empresa é assim tão fácil? Ou acham que as escolas privadas não recebem milhares de currículos?? Em termos de habilitações, estamos sujeitos às mesmas regras do público, com a agravante de no particular, as tabelas salariais serem mais baixas, sim é verdade, ganhamos menos!! O que mais gostei é que damos as notas porque os pais pagam e somos submissos...que miséria de afirmação, acho que as notas dadas por favor infelizmente acontecem em todo lado, e pelo menos nós no privado temos um patrão físico a quem prestamos contas pela qualidade do nosso trabalho e não nas notas que damos! No público recebem x por 22 horas de trabalho. no privado recebem menos que x por 25 ou 28 horas de trabalho, horas de direcção de turma não contam, férias no Natal, Páscoa e Julho é consoante a disposição, etc. Nada tenho contra os meus colegas do público, mas na escola onde leciono, tenho muitos colegas que estão a 300, 400 km de casa, e não me digam que estão cá com cunha! Pelo menos, respeitem o trabalho de quem ganhando menos, trabalhando bastantes mais horas cá continua!

Francisco disse...

Caro anónimo,

Com conhecimento de causa lhe digo, entrar realmente numa empresa é bastante difícil, sobretudo então se for mulher e estiver em idade de ter filhos... inúmeras entrevistas feitas por colegas que a questão decisiva é casou?!? então vai ter filhos??? ou seja, isso vai implicar licença... são estes os critérios de muitos diretores de empresas ligadas, eu ia dizer educação, mas neste caso é melhor dizer instrução, já que é o termo mais correto.... se não nascessem crianças, nem sequer teriam alunos... quanto à questão da prioridade, nada mais simples, ser profissionalizado, porque muitos ainda não o são, graduação e tempo de serviço, nada mais...