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10 de agosto de 2012

E se mudássemos de porta? Ficaria tudo na mesma?

Um país que tem recursos humanos especializados, nos quais investiu, que tem um sistema educativo a ser rentabilizado por esses recursos, e de repente redimensiona o sistema desperdiçando os recursos, não é com certeza um país no caminho certo.

Para além da precarização constante das condições de trabalho dos professores, a tutela prepara-se agora para afectar um direito fundamental das vidas dos professores – o trabalho!  

Temos de conseguir uma forma de impedir que a tutela pare, de uma vez por todas, de criar instabilidade na Educação.

Infelizmente nesta sociedade lusa parece que os interesses são o seu motor, parece ser eles quem a fazem mover.

Por direito, os sindicatos são os representantes legais dos professores.

Não será, então, nos sindicatos que os professores deverão manifestar as suas preocupações e a sua indignação para com as políticas educativas, algumas das quais com a concordância destes?

Mesmo aqueles professores que não são sindicalizados viram e verão a sua profissão negociada/acordada pelos sindicatos existentes.

A união faz a força.

Os movimentos de professores têm um papel muito importante no alcance daquilo que os move, contudo são, naturalmente, quase sempre sonegados pelos sindicatos, prestando ambos, dessa forma, querendo ou não, serviço à tutela.

Acresce que nenhum movimento de professores conseguirá a representação reivindicativa que os sindicatos têm. É público o desprezo da tutela em relação a movimentos formados recentemente e que foram por ela recebidos como se de um favor se tratasse. E pensando bem... Cabe aos sindicatos o papel representativo da classe.

Importa então agir com base nesse propósito – são os sindicatos que representam os professores.

Pode ocorrer que o timing dos professores não se coadune com o timing sindical.

Continuar com a relação professores/sindicatos que ficou desde as mega-manifestações, é assistir a um constante declínio da mesma.

Urge, então, mudar a relação professores/sindicatos, com o intuito de conseguir mudar a inter-relação professores/sindicatos/tutela.

Nem a tutela pode continuar a contar com a previsibilidade dos sindicatos (hoje um, ontem outro), nem os professores devem deixar de se rever nos sindicatos.

E se em vez de concordarmos ficar na fila à porta do Centro de Emprego, a servir de figurantes às manifestações tradicionais dos sindicatos, e se em vez de nos manifestarmos aqui e acolá, fizéssemos das sedes dos sindicatos o nosso ponto de encontro na defesa da Educação, com o mesmo espírito de missão que tivemos nas mega-manifestações?

É possível imprimir uma nova dinâmica aos sindicatos fazendo-os sair da zona de conforto.

É necessário que sindicatos, tutela e a opinião pública sintam novamente o pulsar dos professores, para que a Educação neste país não deixe de ser uma prioridade.

6 comentários:

Daniel Damaia disse...

"Acresce que nenhum movimento de professores conseguirá a representação reivindicativa que os sindicatos têm"
Não sei se isso será bem assim. Não é só uma questão de número ou logística. Por esse mundo fora vimos movimentos independentes (por vezes via mero FB) que conseguiram grande adesão e sucesso no seu ideário, ainda que desorganizado e ideologicamente precário...

Paulo Ambrósio disse...

Perguntas e respostas:


A História do Capitalismo ensina-nos que, antes de haver sindicatos - e direcções sindicais - já havia trabalhadores em luta.


A história do Sindicalismo revela-nos que houve direcções sindicais criadas e/ou tomadas pela entidade patronal e/ou pelo poder de Estado e seu modo de produção. Mais tarde s urgiram sindicatos reformistas e contrapuseram-se-lhessindicatos Verticais de Classe. No quadro actul, a sintuação inverte-se novamente com novas vagas reformistas (CES) e ultra-reformistas e reaccionàrias (CSI).


Mas também a História nos mostrou a degadação de grau zero do sindicalismo, por ex. o siliano e calabrês, lançando raízes nos EUA, com dirigentes mafiosos, escroques, corruptos, homicidas cruéis e traficantes, que cobravam as quotas aos seus associados à lei da bomba e do crepitar das metralhadoras de tambor.


Quanto à representatividade legal das direcções sindicais juto a tutela:


"Quem pode legalmente convocar uma reunião no local de trabalho? Só os sindicatos? Ou também os trabalhadores? Como se faz?", ou "Quem pode convocar uma greve? Só os sindicatos? E como se faz?", aqui deixo a resposta.

Citação de: http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=novapol26


LEI DAS ASSOCIAÇÕES SINDICAIS

DECRETO-LEI N.° 215-B/75 DE 30 DE ABRIL

Anónimo disse...

"Viram e virão" ou viram e verão?

educar A educação disse...

Corrigido. Obrigado.

Anónimo disse...

A minha solução: Modifiquem a tabela de vencimentos. Criem um único escalão. Indíce 188 (Atual 2º Escalão) para todos os docentes quer sejam do público ou do privado, quer sejam do quadro ou contratados. O indíce seria apenas atualizado com base na inflação. Desta forma deixa de haver necessidade de avaliação de docentes, e deixa de haver quezílias entre contratados e professores do quadro.

Anónimo disse...

todos querem mais...que se lixe o mexilhão...