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segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Evitar o péssimo depende de nós...

Só um professor muito distraído é que ainda poderá não se ter apercebido que o mau bateu à porta dos professores, ou melhor, já entrou!

Mas se evitar o mau não foi possível, evitar o péssimo só depende, literalmente, de nós professores (dirigidos e dirigentes, talvez não tanto de alguns mais coloridos que vão ser nomeados para as Comissões Administrativas Provisórias). 

Refiro-me à escolha entre tempos lectivos de 45 e de 50 minutos, e tudo o que isso implica.

Depois de analisarmos as últimas matrizes curriculares arquitectadas pelo MEC e tornadas públicas na passada sexta-feira, é contraproducente deixar-nos levar por palpites quando formos chamados, em sede de Departamento, a emitir opinião sobre a duração dos tempos lectivos. 

A alteração prevista para o decreto-lei 75/2008 determina que o Conselho Pedagógico passe a ser composto única e exclusivamente por professores. Embora a decisão sobre a duração dos tempos seja da responsabilidade da Direcção, o Conselho Pedagógico é ouvido.

5 minutos poderão fazer toda a diferença no futuro dos professores. 

A questão que deve ser colocada não pode ser a pedagógica (se é mais adequado tempos de 45 ou de 50 minutos) porque o jogo está viciado!

Os irredutíveis defensores dos 50 minutos têm que entender que o melhor dos seus argumentos, seja ele qual for, já foi usado pelo MEC como pretexto para a autonomia, levando a acabar com mais 3 tempos lectivos nos 5º, 6º e 12º anos, e 4 tempos nos restantes anos. É isto que sorrateiramente o MEC coloca no âmbito da autonomia das escolas. É este presente de autonomia envenenada que o MEC oferece às escolas. Presente esse que, poderá trazer escusadas guerras entre departamentos, que, por sua vez, poderão viver de novo o mau ambiente da defunta ADD que este mesmo MEC fez questão de enterrar. 


Mas, também foi por causa da ADD e da divisão na carreira que os docentes se uniram como nunca mais. 


Se o MEC fosse desinteressado de austeridade, o que estabeleceria era tão só o número de tempos por disciplina, aliás como o fez em 26 de Março (na pseudo versão final das matrizes curriculares) deixando a sua duração à consideração das escolas no âmbito de uma salutar autonomia, regulando apenas a questão dos tempos supervenientes.

Neste momento a falta de informação pode ser nossa inimiga. Tendo os sindicatos o papel de informar, espero que nenhum docente opine pela defesa dos 50 minutos sem, conscientemente, saber o que isso acarreta. 

Contudo, por uma só escola que seja a entrar na lógica do MEC, este terá lucro. 

Estas matrizes são uma espécie de SCUT em que escola que por lá passe dará lucro ao concessionário. Ainda por cima nem dinheiro em pórticos gastaram!  Só lucro!!!