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30 de novembro de 2013

GREVE na próxima quinta-feira, 5 de Dezembro


Há coisas que não se pedem

Estamos certamente perante uma atitude de reconhecimento quando um sujeito que consegue acabar com a celeuma da avaliação de desempenho dos professores cria a vozearia da prova para candidatos a professores contratados. Acredito que mais não faz do que trabalhar para o estado de graça do sucessor da mesma forma que as suas antecessoras trabalharam para o seu.
Quando não se tem a coragem de assumir o inimigo (entenda-se: professores do sistema e necessários ao sistema) dá-se força de lei a uns palpites mal pensados a partir da mesma cabeça cuja boca verbalizou o popularuxo discurso do eduquês.
Sai palpite atrás de palpite com destaque para o de uma espécie de reforma curricular, pensada numa noite mal-dormida, em que sobressaiu a aritmética de uma engenharia curricular cujo projecto é fazer baixas no inimigo. 
A polémica à volta da prova advém tão somente da alteração à sua regulamentação. Necessária porque a anterior regulamentação, por dispensar a maioria professores com experiência, não tinha sido pensada para agilizar o número desejado de baixas no inimigo - faltava este palpite. 
Expor os professores na praça pública com o objectivo de os achincalhar e reduzir, através de prova pública que mais não lhes garante do que continuar a dar aulas nas mesmas condições de precariedade, é o mesmo que pedir aos ministros do governo que vão para a casa dos segredos para termos o prazer de expulsar um a um até ao fim do governo programa - há coisas que não se pedem.

Hoje no Expresso: Alunos brilham na prova dos professores