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4 de janeiro de 2015

Nada - uma década de ensino público

Tendo começado a minha vida escolar no ensino público aos seis anos de idade, aos dez ingressei no internato de um Colégio onde concluí o ensino não superior. Durante o ano de estágio tive, apesar de restrita, uma primeira vivência no ensino público. Estava no terceiro ano da licenciatura quando me foi feito o convite para ingressar no quadro do Colégio quando a terminasse. Assim foi. Passados uns anos, por razões pessoais, resolvi deixar o quadro do Colégio e aceitar colocação numa escola pública. Estávamos em 2004. Passada uma década muito aprendi sobre/na escola pública. Como professor faltava-me esta experiência. Como pessoa também. Sempre como contratado passei por um bom número de escolas. Todas tinham um denominador comum - era possível fazer muito mais pelos alunos. Culpa de quem? Do sistema, a quem comummente se a atribui. Claro que fica aqui esta resposta porque não quero expor outras de foro interno. Contudo, o Ministério da Educação não por "ter as costas largas" mas pelas contínuas asneiras que tem feito é o grande responsável por, em meu entender, cada vez se mostrar que se faz mais pelos alunos numa escola pública em que longe vão os tempos em se fez tão pouco. Os mega-agrupamentos, o modelo de gestão escolar e as alterações curriculares foram marcantes do vazio da escola pública. O agrupamento de escolas com diferentes culturas e lideranças tem-se mostrado caótico. O modo de eleição e o modelo de gestão escolar que sobrevive a todas as alterações implementadas está podre. O exercício de engenharia curricular aplicado na mais recente e profunda alteração curricular foi, a par com a fusão dos agrupamentos, determinante para o descrédito que actualmente dou à escola pública. Visão corporativista? Se entendermos que um professor com mais de uma década no ensino público, servindo e servindo-se em horário anual, de repente passa um ano lectivo a fazer quatro substituições de um mês cada, menorizada a motivação, a qualidade do ensino não pode forçosamente ser a mesma, por isso não sejamos hipócritas ao pensar que a precariedade docente é uma questão corporativista, sejamos sérios e vejamos-a como uma visão pedagógica. Para os que pensam que independentemente de tudo o profissionalismo tudo supera, para eles o meu desprezo.

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